23/04/2019

Trabalho suzanense sobre judicialização da Saúde será apresentado em congresso

Trabalho suzanense sobre judicialização da Saúde será apresentado em congresso

Experiência exitosa na cidade está entre as melhores do Estado; objetivo é quantificar e dimensionar as ações judiciais ativas, para mapear custos e estudo de progressão financeira

O trabalho “Judicialização da Saúde, compulsão decisória e desestruturação do Sistema Único de Saúde (SUS)”, desenvolvido pela Secretaria de Saúde de Suzano, foi selecionado na 16ª Mostra de Experiências Exitosas dos Municípios e deve ser apresentado no Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, de 2 a 5 de julho, em Brasília. A primeira apresentação, realizada no mês passado durante o 33º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo, em Águas de Lindóia, seguiu na temática Assistência Farmacêutica e agora concorre ao Prêmio David Capistrano e Menção Honrosa.

O coordenador de assistência farmacêutica de Suzano, Rodrigo Christiano Hilário Moreira, assina o trabalho que teve como objetivo quantificar e dimensionar as ações judiciais ativas na cidade, para um mapeamento de custos e estudo de progressão financeira para os próximos anos, além de avaliar as orientações repassadas, garantindo o acesso farmacoterapêutico e informações técnicas sobre Protocolos Clínicos Terapêuticos adequados, evitando a judicialização desnecessária.

Na etapa estadual, realizada no fim de março, foram selecionadas apenas 67 das 995 experiências paulistas. A secretaria suzanense contribuiu com 13 apresentações. Para o chefe da pasta, Luis Cláudio Guillaumon, a participação no congresso é de extrema importância, uma vez que valoriza os resultados do evento que mostra o reconhecimento do trabalho desempenhado no dia a dia, além da troca de ideias e absorção de novo conhecimento. De acordo com o secretário, no ano passado, a atividade desenvolvida pela Rede de Atenção Psicossocial (Raps) suzanense também esteve entre as selecionadas.

Trabalho

O autor do trabalho coletou dados a partir de 2015 para analisar o deferimento de ações judiciais para o fornecimento de medicamentos e percebeu que os custos dos pedidos chegam a cerca de 30% dos gastos, beneficiando uma parcela muito pequena da população. “Nessa progressão, em quatro anos, 100% do que temos para a compra de medicamentos será apenas para atender ação judicial”, explicou Moreira.

O estudo alerta aos trâmites burocráticos, por meio de protocolo clínico, para evitar a visão unilateral do médico requerente e ofertar opções de medicamentos substituíveis. “Fazemos um trabalho técnico de orientação dos médicos, equipe de farmácia e pacientes de como ter acesso aos medicamentos e outras opções disponíveis que atendam à necessidade. É preciso conscientizar o setor jurídico quanto ao impacto de cada deferimento”, disse o coordenador, advertindo que os altos custos colocam em risco a oferta de remédios, ferindo assim as diretrizes do SUS.