Economia com a iniciativa a ser colocada em prática pela administração municipal poderá chegar a cerca de R$ 1,5 milhão por ano
Prefeitura de Suzano. Há situações que ocorrem há quase três décadas. Hoje, a cidade conta com 145 caixas d’água comunitárias espalhadas por vários pontos, sendo a grande maioria no distrito de Palmeiras (140) e as demais nas regiões do Raffo (1), Fazenda Aya (2) e Jardim Monte Cristo (2).
Esses reservatórios – cada um com capacidade de armazenamento de 5 mil litros – são responsáveis pelo abastecimento de milhares de famílias que vivem em localidades do município para onde benfeitorias dessa natureza, de responsabilidade da Sabesp, não podem ser levadas, em razão de impedimentos pelas leis ambientais ou mesmo por se tratarem de assentamentos irregulares existentes há muito tempo. No entanto, a administração municipal constatou que há defasagem no fornecimento de água potável em comunidades com grande concentração de famílias e uso exagerado e irregular por parte de poucas pessoas, principalmente em chácaras e sítios.
Por esse motivo, em janeiro de 2018 a Secretaria Municipal de Manutenção e Serviços Urbanos enviará notificações aos responsáveis pelas caixas para informar sobre essa situação e comunicar a decisão de que haverá corte definitivo do abastecimento onde há uso indevido ou questionável. Ao todo, neste primeiro momento, está previsto o cancelamento do fornecimento de água em 40% das 145 caixas existentes. Dos reservatórios que restarem, 30% vão continuar normalmente com o abastecimento e 70% passarão por vistoria. O corte deverá ocorrer 60 dias após o recebimento da notificação. Caso não concordem com a medida, os responsáveis pelas caixas terão que comprovar, por meio de laudo técnico, a impossibilidade de abertura de poço artesiano ou que a água não é própria para consumo humano.
Meta é levar mais água a quem precisa
A partir da iniciativa de atingir uma melhor eficiência do serviço prestado, a Prefeitura de Suzano conseguirá levar mais água a quem realmente necessita. No assentamento irregular que existe na região do Jardim Monte Cristo, por exemplo, mais de 200 pessoas são atendidas por dois reservatórios, quando o ideal seriam cinco. A situação é semelhante em comunidades da Vila Nova Ipelândia, Parque Cerejeiras e Residencial Nova América, todos bairros do distrito de Palmeiras.
Com a reorganização do serviço, será possível ampliar o fornecimento e acabar com irregularidades e favorecimentos. Atualmente, para garantir o abastecimento nessas localidades onde estão as 145 caixas comunitárias, a administração municipal compra 2,7 milhões de litros de água por mês da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), ao custo que varia entre R$ 60 mil e R$ 70 mil. A captação é feita a partir de uma bica da empresa estadual localizada nas proximidades da estrada do Koyama, em Palmeiras.
A poucos metros dali, há uma outra fonte da administração municipal – que foi recuperada neste ano pela Secretaria de Manutenção e Serviços Urbanos –, mas a água não é própria para o consumo (ferrosa) e acaba sendo utilizada apenas em obras e outros trabalhos. Há um planejamento para adquirir uma estação de tratamento a fim de que essa bica possa ser usada. Desta forma, se assim ocorrer, não será mais necessário comprar água da Sabesp.
Além disso, o valor do contrato de aluguel dos caminhões que fazem o transporte é de R$ 126 mil por mês. Ou seja, com o corte já definido em quase metade dos reservatórios e com a possibilidade de a Prefeitura de Suzano não precisar mais comprar água da Sabesp, será possível atender a recomendação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e, assim, economizar cerca de R$ 130 mil mensalmente (R$ 70 mil da aquisição e R$ 60 mil do traslado) ou quase R$ 1,5 milhão por ano.