Preocupado com os índices alarmantes de dengue em todo o Estado de São Paulo, o prefeito Paulo Tokuzumi intensificou os trabalhos para o combate e prevenção da doença no município
A Prefeitura de Suzano está desenvolvendo uma série de ações para combater a dengue, que, em muitos municípios, se tornou uma epidemia. As atividades envolvem todas as secretarias municipais, Tiro de Guerra, profissionais da Saúde e até mesmo os estudantes, como é o caso do programa Agente Mirim.
O programa Agente Mirim é desenvolvido pelos estudantes das escolas municipais, com apoio das secretarias de Educação, Saúde e da Vigilância Sanitária. Em sala de aula, os jovens recebem informações sobre a doença, formas de transmissão e proliferação do mosquito com o objetivo de se tornarem agentes multiplicadores. Com base nas informações, os alunos vão a campo auxiliar na busca por possíveis focos de criação do mosquito e de pessoas infectadas.
“Eles recebem formulários para fazer a pesquisa em sua residência e no entorno, bem como buscar pessoas com sintomas da dengue. Esses dados são tabulados pelos professores e encaminhados para o Departamento de Vigilância Epidemiológica. Os bairros identificados com maior incidência de pessoas sintomáticas recebem um trabalho de campo dos agentes de controle”, explica a professora e coordenadora do programa Izabel Cristina Soares de Oliveira.
Gabriel Teodoro, de 10 anos, é um dos agentes mirins de Suzano. Ele e seus colegas já aprenderam sobre a doença na escola e, agora, vão à casa de vizinhos para ver se há criadouros do mosquito ou pessoas com sintomas da doença. “A dengue está matando pessoas, por isso estamos indo falar sobre a importância de combater o mosquito”, diz Gabriel.
Eva Macleide Teodoro, de 38 anos, mãe de Gabriel, ressalta a importância da iniciativa porque já sentiu na pele os transtornos causados pela dengue. “Eu tive dengue no ano passado e é algo terrível. Não gosto nem de lembrar daquele sofrimento. Acho que eu teria sofrido menos se soubesse tudo o que ele sabe hoje sobre a doença”, reforça Eva.
As ações intensivas de combate à dengue também estão sendo realizadas com o apoio do Tiro de Guerra de Suzano. Durante dois dias na semana, 30 atiradores selecionados pelo chefe da unidade, subtenente Francisco Roberto Bandeira, dão apoio a equipe da Secretaria de Saúde para orientar a população sobre os focos de acúmulo de água. As equipes do Tiro de Guerra já encontraram diversos focos do mosquito Aedes aegypti durante as vistorias.
Além disso, a Prefeitura de Suzano está fazendo a aquisição de dois nebulizadores veicular (acoplados em pick-up) e também 4 costais (tipo mochila), que oferece acesso em locais mais restritos, onde os veículos não têm alcance. Esses novos equipamentos possuem tecnologia UBV (Ultra Baixo Volume), que emite micro partículas em névoa, eliminando a fumaça. Com esse sistema, o raio de ação é maior e também permite que os trabalhos sejam feitos em qualquer horário. Com o fumacê, o serviço só pode ser realizado no final da tarde.
Visando uniformizar as práticas de enfretamento por parte de seus profissionais, a Secretaria de Saúde realiza periodicamente uma capacitação para médicos e enfermeiros de toda a rede, inclusive do Pronto Socorro e da Santa Casa. O treinamento tem o objetivo de revisar e reforçar o plano de contingência da doença.
Como prevenir
O médico veterinário da Vigilância em Saúde da cidade, Gérsio Suguimoto, também frisou sobre a participação das pessoas na prevenção da doença. “Todos têm que fazer inspeções semanais dentro de sua casa para evitar o acúmulo de água, que pode formar foco do mosquito”, aponta. Ele também ressalta que dengue não existe somente no verão, mas durante todo o ano, principalmente em épocas de chuvas constantes.
Em caso de economia de água de chuva em tonéis e baldes, a Vigilância destaca a importância de tapar o recipiente. Além disso, os munícipes devem utilizar cloro, detergente ou sabão em pó para lavar o quintal, substâncias que impedem a sobrevivência das larvas. Os principais sintomas da doença são: dor de cabeça e nos olhos; febre; dores no corpo; cansaço; fraqueza; náuseas; vômito e manchas vermelhas na pele. “A pessoa que apresentar esses sintomas deve procurar a unidade de saúde mais próxima”, informou.
Raio-X do Mosquito Aedes aegypti
– Tamanho: 5 milímetros, com três pares de patas;
– Comportamento: ataca principalmente ao amanhecer e no entardecer;
– Cor: preto com listras brancas;
– Onde se reproduz: em vasos, pneus, garrafas ou qualquer recipiente com água limpa;
– Ovos: distribui de três a cinco ovos em vários recipientes;
– Voo: voa até 1,5 metro de altura e pica o que estiver ao seu alcance;
– Zumbido: pouco perceptível ao ouvido humano;
– Quem pica: sempre a fêmea;
– Na picada: possui substâncias anestésicas na saliva que fazem com que a pessoa não sinta o ferrão;
– Ferrão: meio milímetro, capaz de ultrapassar tecidos como o jeans.