Prevenção do preconceito racial foi debatida e avaliada como ação contínua e necessária não somente como atividade em referência ao Dia da Consciência Negra, mas no dia a dia
Atividades com o tema “Discriminação Racial” foram realizadas nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) de Suzano, em parceria com a Defensoria Pública do Estado de São Paulo – Núcleo Especializado de Combate a Discriminação, Racismo e Preconceito. A assistente social Elisabete Gaidei Arabage, agente de Defensoria, comandou os eventos.
Os CRAS de Palmeiras e Boa Vista receberam a atividades hoje (18) no período da manhã e tarde, respectivamente. O Cras Centro recebeu palestra que desenvolveu a temática sobre preconceito racial no dia 10 de novembro. Aproximadamente 100 pessoas foram beneficiadas com a iniciativa nos três centros de referência.
“O preconceito racial é naturalizado no dia a dia. Ofensas são veladas na forma de ‘brincadeiras’, piadas e na mídia. Apesar da população negra ser maioria no País (50,7% de acordo com Censo IBGE 2010), são minoria no acesso a políticas públicas como saúde e educação”, comentou Elisabete. Em relação às denúncias por discriminação racial a agente de Defensoria informou que o Estado de São Paulo dispõe da Lei 14.187/2010, que estabelece penalidades administrativas para o agressor. O Núcleo de Combate a Discriminação, Racismo e Preconceito pode ser procurado por meio do telefone (11) 3101-0155 – ramal 137 ou pelo e-mail [email protected] para acolhimento e avaliação das denúncias.
O professor Otávio Marcelo Rodrigues, mediador de conflitos na escola estadual José Papaiz, realiza trabalho preventivo com alunos e avalia importância da conscientização nos grupos. “Discutir sobre os conflitos interfere diretamente na diminuição dos índices de ocorrências ligadas ao preconceito racial e toda forma de preconceito, inclusive religioso e por orientação sexual. Entendo que a participação nesta palestra realizada no CRAS é mais uma ação de fortalecimento da rede de proteção, possibilidade de crescimento e integração dos vários agentes do território”.
O educador social José Mario Rodrigues Finetti do CRAS Palmeiras comenta que os usuários da unidade enfrentam dificuldade na inclusão social decorrente do desemprego e baixa escolaridade. “Geralmente essa é a realidade da população negra. Um dos motivos de buscarem acesso a benefícios de transferência de renda como o Programa Bolsa Família e Renda Cidadã resulta da desigualdade social gritante entre população negra e branca”.
A assistente social do Cras Boa Vista, Ariane Pedro Cruz, acrescentou que neste cenário a conscientização da população sobre o tema “Discriminação Racial” é de extrema relevância. “Reflito muito no motivo que fez com que o homem acreditasse quanto a superioridade e a inferioridade de raças. Reflito também sobre o pensamento deste homem ao colocar o outro na condição de escravo. Destaco que foram anos de escravidão, sendo assim tiveram pessoas que nasceram e morreram nesta condição. Em virtude desta crença de superioridade e inferioridade, ainda hoje a população negra sofre com situações de discriminação e preconceito. Diante disto, acredito que ações socioeducativas em que essa população possa ser orientada em relação aos seus direitos e como combater este tipo de tratativa, devem ser realizadas visando assim o fortalecimento deste público”.
Para as atividades realizadas nos Cras de Suzano foram convidadas famílias usuárias dos serviços ofertados na Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, assim como entidades sociais, líderes religiosos e rede de atendimento como escolas da rede pública e unidades de saúde. A prevenção do preconceito racial foi debatida e avaliada como ação contínua e necessária não somente como atividade em referência ao Dia da Consciência Negra, mas no dia a dia.
Secretaria de Comunicação Institucional (SECOI)