Focado no combate ao desperdício alimentar e alimentação saudável, o projeto teve início na cozinha e hoje faz parte de pelo menos três disciplinas da grade do ensino fundamental
A Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental (Emeif) Antônio Carlos Mayer tem servido como exemplo para toda a rede pública de ensino municipal. Além de registrar ótimos resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a escola vem se destacando por integrar todos os funcionários no processo de educação infantil. A integração tem sido tão positiva que um dos grandes projetos da escola, focado no combate ao desperdício alimentar e alimentação saudável, teve início na cozinha e hoje faz parte de pelo menos três disciplinas da grade do ensino fundamental.
Batizado como “Diga não ao desperdício”, o projeto foi criado pela equipe de cozinheiras escolares, com o objetivo de estimular a alimentação saudável, o consumo consciente, bem como promover uma disputa saudável entre os alunos. “Era muito triste ver toda aquela comida, feita com tanto carinho, ir para o lixo todos os dias. Em uma conversa surgiu a ideia de apresentar aos alunos as consequências do desperdício, a importância de uma alimentação balanceada e a proposta de uma competição entre as turmas, com o objetivo de zerar as sobras no horário de merenda”, explica a cozinheira Elaine Andrade Guedes Dias.
A partir daí as próprias cozinheiras reuniram exemplos do cenário da fome no mundo e de grupos de alimentos essenciais para uma vida saudável e apresentaram aos alunos. “Passamos a acompanhar e orientar mais de perto as crianças no momento da composição do prato. Em apenas três meses conseguimos zerar o desperdício de comida”, afirma Elaine.
No mês de março, as sobras de comida da turma da manhã somavam 16 quilos. Já as sobras da turma da tarde chegavam a 18 quilos. Em abril, o desperdício, em ambas as turmas, caiu para 7 quilos. O retrato do desperdício vem sendo trabalhado em sala de aula. “Após a merenda, um representante de cada sala vai até a cozinha anotar o balanço do dia e expor aos colegas. Os resultados são trabalhados em matemática, com a exposição de gráficos e medidas, e em ciências, para explicar temas como a decomposição do lixo. Além disso, trabalhamos a formação social das crianças para que sejam adultos esclarecidos e responsáveis, especialmente com o meio ambiente”, afirma a diretora, Hilda Cândida da Costa.
O resultado do projeto pode ser observado também no amadurecimento dos alunos. “Tem muita gente passando fome no mundo, por isso a gente só deve colocar no prato a quantidade que vamos comer”, diz Alan Oliveira Martins, de oito anos, aluno do ensino fundamental.
Aulas diversificadas
“O álbum tem alguns capítulos. No primeiro deles os alunos precisam preencher a figura relacionada ao seu nome e de seus colegas. Depois a identidade com sons das palavras e junção de sílabas. É interessante, porque as crianças criam um afeto com o livrinho e tem a motivação da competição para completar o álbum”, explica a professora.