28/10/2021

Patrulha Maria da Penha celebra sete anos com índice zero de feminicídio entre assistidas

Patrulha Maria da Penha celebra sete anos com índice zero de feminicídio entre assistidas

Ao todo, 2,8 mil vidas já foram salvas pelo programa e mais de 60 mil rondas realizadas em Suzano

No mês de outubro, a Patrulha Maria da Penha de Suzano completa sete anos de atuação no enfrentamento à violência contra a mulher e defesa da sua integridade. O programa, vinculado à Guarda Civil Municipal (GCM), da Secretaria de Segurança Cidadã, apresentou um balanço positivo com o índice zero de feminicídio entre as 130 mulheres assistidas pela equipe, além de 2,8 mil atendimentos e mais de 60 mil rondas realizadas por toda a região.

A iniciativa foi instaurada em 2014 e seu nome faz referência à Lei Federal nº 11.340 – popularmente conhecida como Lei Maria da Penha –, promulgada em 2006 e que é o principal instrumento legal para coibir e punir a violência doméstica praticada contra mulheres no Brasil.

Para tanto, surgiu com o propósito de fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas deferidas e encaminhadas pelo Anexo de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, assim como o de oferecer uma rede de apoio para as munícipes a fim de garantir a integridade física delas em casa e no trabalho, após o rompimento da relação e de ameaças vindas do agressor.

Para fortalecer este trabalho, a equipe também conta com uma rede de atendimento especializado a mulheres que sofrem com estas condições, que inclui a Delegacia da Mulher (4748-8040), a Sala Rosa da Comissão da Mulher Advogada (4748-7473), o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (4742-7100), a Rede de Atenção à Pessoa em Situação de Violência Doméstica e/ou Sexual (4745-2092), a Casa de Acolhimento, o Disque Denúncia (180), a Homens Pelo Fim da Violência Contra a Mulher (4759-2284) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social, o Creas (4743-2588).

Uma outra ferramenta de articulação entre a vítima e o patrulhamento é o aplicativo “Está acontecendo”. Disponível para as mulheres assistidas, ele permite acionar uma viatura a qualquer momento de forma ágil e eficaz, sempre que forem alvo de algum tipo de violência, assim como de compartilhar sua localização.

Para a comandante da GCM, Rosemary Caxito, os canais de comunicação são importantes aliados para a ausência de casos de feminicídio. Ela conta que as vítimas assistidas precisam se sentir seguras e confiantes de que ao acionar a equipe serão atendidas rapidamente. Portanto, há um trabalho sensível e incansável por trás dos resultados positivos. Cada uma das 130 mulheres recebem um tratamento individual, seguindo cada particularidade dos casos.

Além de protagonizar a proteção às mulheres suzanenses, as equipes também realizam um trabalho preventivo e pedagógico com a população, por meio do projeto “Patrulha Maria da Penha nas Escolas”, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. O objetivo é levar conhecimento aos pais, às mães e aos cuidadores de alunos sobre a legislação federal, bem como sobre o feminicídio e a atuação municipal. Já são mais de 100 famílias capacitadas para auxiliar na causa em prol da vida.

Conforme ressalta a coordenadora do programa, Jaqueline Lima, mais do que amparar as vítimas é necessário realizar um trabalho de conscientização para transformar a realidade do País. Ela aponta que infelizmente existem muitas barreiras e estigmas ao tratar deste assunto. Jaqueline conta muitos acreditam que não devem ‘meter a colher’ nas relações, portanto este trabalho educativo também é essencial. Conseguimos atuar no início, meio e fim do ciclo da violência doméstica.

Referência

O protagonismo da Patrulha Maria da Penha se tornou referência para outras localidades. Em 2017, foi utilizada como programa-modelo para Guarulhos, Piracicaba e em mais quatro cidades do nordeste do Brasil: Araci, Alagoinhas, Lauro de Freitas e Feira de Santana. Recentemente, também recebeu a visita de um grupo da Guarda Civil Municipal (GCM) de Estiva Gerbi, da região de Campinas, para orientações na implantação deste serviço no município. Na ocasião, a equipe realiza uma apresentação técnica do funcionamento e do expediente diário da Patrulha Maria da Penha de Suzano, e também orienta quanto aos procedimentos administrativos que devem ser adotados pelo município para a implantação do projeto.

Em dezembro de 2018, recebeu o Selo Nacional de Prática Inovadora, conferido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sendo o único programa do Estado de São Paulo a ser premiado. O reconhecimento também oportunizou a publicação impressa na revista do órgão, lançada em 8 de março de 2019, atribuindo mais visibilidade ao projeto e seus resultados satisfatórios.

O prefeito Rodrigo Ashiuchi classifica o trabalho da Patrulha Maria da Penha como um orgulho para todos os suzanenses e parabeniza a equipe pelos sete anos. Ele conta que é uma alegria para Suzano ter um programa atuante em toda a região, pois ele foi idealizado para fortalecer os vínculos com a população e também assegurar o direito mínimo das mulheres: o de ir e vir em segurança. É uma premissa para toda a gestão e continuar comprometidos em salvar vidas.

A GCM de Suzano recebe denúncias pelo telefone (11) 4746-3297. Além deste contato, também é possível pedir auxílio pelo número exclusivo da Patrulha Maria da Penha, em (11) 4745-2150, ou pelo Disque Denúncia, no 180. A equipe está concentrada na Delegacia de Defesa da Mulher, localizada no número 302 da rua Presidente Nereu Ramos, no Jardim Santa Helena.