17/03/2016

Identificação do Trabalho Infantil é tema de discussão em Suzano

Identificação do Trabalho Infantil é tema de discussão em Suzano

Todos os agentes da Rede de Serviços e Garantia de Direitos do município receberão nesta sexta-feira (18), a capacitação “O Papel da Rede na Identificação do Trabalho Infantil”. A palestra será ministrada por Heder de Sousa, sociólogo, mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP e especialista em desenvolvimento social na Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado. Atualmente, Sousa é diretor técnico da Equipe Estadual de Referência do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil  (Peti).

A capacitação começa às 13h30, no Centro Cultural Francisco Carlos Moriconi. O objetivo é aperfeiçoar e desenvolver tecnicamente os agentes da Rede para a atuação intersetorial, especificamente, na mobilização social para a rápida identificação e encaminhamentos dos casos de trabalho infantil.

Trabalho contínuo em Suzano
A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social vem promovendo desde dezembro de 2015 uma grande campanha na cidade de Suzano, visando erradicar o trabalho infantil. Em parceria com os governos Federal e Estadual, várias ações vêm sendo realizadas como mutirões, mobilizações e sensibilizações.

Segundo a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Leonice Ramos Ferreira, todos os segmentos que atuam na área da infância podem participar da campanha Diga Não ao Trabalho Infantil: Você pode Ajudar! “A colaboração pode ser de diversas formas, como denúncias aos órgãos responsáveis, a não contratação de crianças e adolescentes (exceto nas formas previstas na Lei), mudança de condutas que violam direitos, além da orientação e propagação das informações recebidas durante a campanha”, informou a secretária.

Consequências às crianças e adolescentes

Muitas crianças e adolescentes assumem responsabilidade de pessoa adulta quando exercem atividades de trabalho. São locais de trabalho diversos como pedreiras, carvoarias, ambiente doméstico, feiras livres, lixões, comércio informal, borracharias, matadouros, agricultura, entre outros. Também ocorrem em atividades ilícitas como o tráfico de drogas e exploração sexual; a Organização Internacional do Trabalho considera tais atividades como algumas das piores formas de trabalho infantil por serem perigosas e insalubres.

O que define trabalho infantil é toda forma de trabalho, remunerada ou não, que priva crianças e adolescentes de experiências próprias de suas idades, como a de brincar e estudar. O trabalho infantil impõe uma carga de responsabilidade desproporcional a faixa etária destes jovens e faz com que exerçam atividades inadequadas a sua estrutura física e psicológica colocando sua saúde e segurança em risco.

Tais atividades podem comprometer o desenvolvimento físico, psicológico e cultural de crianças e adolescentes; há casos que resultam no abandono escolar. Especialmente em locais como semáforos e outros locais públicos, o risco para o aliciamento para tráfico e uso de drogas é maior.

Raio-x do problema
Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre os anos de 2007 a 2013 um número de 13.730 meninos e meninas se acidentaram no trabalho e 119 morreram trabalhando.

Em diversas regiões do País crianças e adolescentes vivenciam uma “meia infância”, mais de 3,5 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 17 anos estão em situação de trabalho infantil. Isto representa mais de 8% da população dessa faixa etária.

Em relação aos índices municipais, os dados do Censo IBGE 2010, apontam 1.559 crianças e adolescentes entre 10 e 15 anos em situação de trabalho infantil. Já as informações extraídas do Cadastro Único indicam existência de apenas 5 casos de Trabalho Infantil.

No ano de 2014 a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social ampliou o trabalho de identificação dos casos de trabalho infantil e realizou diagnóstico municipal do problema, com 109 casos de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, sendo que 59 casos foram observados em comércios e afins, 11 casos de crianças e adolescentes de outros municípios, 18 casos levantados pelas Organizações Sociais que realizam Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e 21 casos levantados pela equipe de abordagem social. O grande desafio na identificação destes casos é o trabalho doméstico e em locais dos quais as equipes não têm acesso.

Legislação sobre o assunto
A Lei brasileira proíbe em qualquer hipótese o trabalho até os 13 anos de idade. Entre os 14 até os 16 anos o trabalho é permitido, mas só pode acontecer na condição de aprendiz que combina a frequência escolar ao desenvolvimento de uma profissão supervisionada. A partir dos 16 anos o trabalho é permitido mas o jovem não pode trabalhar a noite, nem desempenhar atividades de risco. A partir dos 18 anos o jovem pode trabalhar em qualquer oficio.

Secretaria de Comunicação Institucional (SECOI)