17/07/2021

Família Marques Figueira exalta importância do Casarão da Memória no resgate histórico

Família Marques Figueira exalta importância do Casarão da Memória no resgate histórico

Antigo imóvel construído por Antônio Marques Figueira se tornou um equipamento voltado à preservação, que será aberto ao público após a pandemia

A família de um dos mais importantes personagens da fundação de Suzano fez uma visita à antiga residência de Antônio Marques Figueira, que hoje abriga o Casarão da Memória, equipamento público voltado à preservação histórica e cultural da cidade. Em razão da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o local segue fechado ao público.

Estiveram presentes as netas dele, Zulmira Campolino Marques, Marilena Marques Figueira e Sônia Maria Marques, a bisneta Dorinda e os trinetos Priscila e Wiverson. Em um dia marcante, os parentes relembraram histórias de família e do próprio município, emocionando a todos, especialmente Zulmira.

Conhecendo o espaço que foi reformado recentemente, Wiverson destacou o sentimento de alegria de estar em uma edificação carregada de significados e importância. “É uma satisfação enorme para nós termos esse reconhecimento, que ao mesmo tempo se confunde com a história da cidade. Apesar de Suzano ser relativamente nova, é um prazer muito grande saber que o nosso sobrenome e o nome do nosso ancestral estarão perpetuados para as gerações futuras”, disse.

O Casarão da Memória foi revitalizado e transformado em um espaço cultural em 2020 e sua abertura contou com uma cerimônia na qual o prefeito Rodrigo Ashiuchi afirmou que o local tem como missão fazer o resgate da história e valorizar a atuação daquelas pessoas que ajudaram a construir a cidade ao longo das décadas.

Sob a direção de Rita Paiva, o local, inicialmente, traria uma experiência imersiva com vários detalhes e uso do acervo histórico de Suzano, porém, com a pandemia, teve suas atividades suspensas e só será aberto à visitação quando houver segurança à saúde pública, após o período de combate ao novo coronavírus.

O secretário municipal de Cultura, Walmir Pinto, disse que o espaço representa muito para a cidade. O chefe da pasta afirmou que um povo sem cultura é um povo sem história, e lembrou que por meio desse grande resgate feito na rua Campos Salles, o processo de criação e amadurecimento do que hoje é Suzano tem um grande marco, que deve guiar a evolução e o futuro da cidade.

Patrimônio

Erguida em 1885, a antiga residência de Antônio Marques Figueira, a quem é creditada a responsabilidade pela fundação de Suzano, é um dos patrimônios arquitetônicos do município, conservando as características da época. Foi o primeiro casarão construído na região que viria a se tornar o centro de Suzano. Está instalado na rua Campos Salles e remonta ao início da urbanização da área no entorno da estrada de ferro.

O projeto de revitalização desenvolvido em conjunto pelas Secretarias Municipais de Cultura e de Planejamento Urbano e Habitação manteve as características originais do imóvel de aproximadamente 3 mil m², onde viveram Marques Figueira, sua esposa Emília de Siqueira e seu irmão, Thomé Marques Figueira.

Fundador

Antônio Marques Figueira nasceu em Figueira da Foz, Portugal, no dia 28 de maio de 1856, e chegou ao Brasil sozinho, aos 20 anos. Trabalhou na estrada de ferro em São José dos Campos e aos 23 anos foi transferido para Suzano.

Por aqui, atuou também no comércio de lenha, que vendia à ferrovia para abastecimento dos trens movidos a carvão. E, assim, foi adquirindo terras em Suzano para extrair madeira.

O transporte era feito por carros de boi, comuns nas ruas da cidade. A atividade foi aos poucos atraindo os primeiros moradores ao local, que viam uma perspectiva de progresso com a construção da estrada de ferro.

Naquele período, dedicou-se ao comércio. Vendia produtos importados que iam de ferramentas da Inglaterra a vinhos e azeitonas de Portugal. O estabelecimento funcionava no cruzamento das atuais ruas General Francisco Glicério e Campos Salles.

A planta do centro da cidade foi encomendada por ele ao conde João Romariz, que tinha pastagens na Vila Amorim. Era o primeiro arruamento da cidade, com vias delimitadas em quarteirões, a partir da linha do trem, e um espaço para a construção de uma praça e uma capela. A urbanização ficou por conta do engenheiro Portugal Freixo.

Em agosto de 1890, o general Francisco Glicério Cerqueira Leite, então ministro de Agricultura, Comércio e Obras Públicas do governo do presidente Deodoro da Fonseca, aprovou a planta por meio de um decreto federal. A fundação oficial da vila ocorreu em 11 de dezembro de 1890, quando o pequeno povoado passou a se chamar “Vila da Concórdia”.