05/04/2024

Evento no Cineteatro celebra tombamento do primeiro Paço Municipal de Suzano

Evento no Cineteatro celebra tombamento do primeiro Paço Municipal de Suzano

Prédio que foi sede do Poder Executivo, entre 1952 e 1993, e do Legislativo, de 1952 a 2002, é considerado patrimônio da cidade

O Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac), com apoio da Secretaria Municipal de Cultura, promove nesta quinta-feira (04/04), uma solenidade no Cineteatro Wilma Bentivegna para celebrar o tombamento do primeiro Paço Municipal de Suzano, localizado na rua Campos Salles, 601, no centro, onde está sedado atualmente o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A cerimônia contou com as presenças do vice-prefeito Walmir Pinto; do diretor de Cultura, Amaury Rodrigues; da presidente da Compac, Cind Octaviano; do secretário municipal de Segurança Cidadã e chefe de Gabinete, Afrânio Evaristo da Silva; do presidente da Câmara Municipal, Joaquim Rosa; e dos vereadores Jaime Siunte, que fez uma indicação para essa propositura; Arthur Takayama; e Antonio Rafael Morgado, o Toninho Morgado.

A finalização desse trabalho, aprovada por unanimidade pelo colegiado que compõe o Compac na última quinta-feira (28/03), garantiu reconhecimento de valor ao prédio que abrigou o Poder Executivo municipal por mais de 40 anos, entre 1952 e 1993, e o Poder Legislativo municipal por quase 50 anos, entre 1952 e 2001. O tombamento, que também incluía uma mureta que fica em frente à fachada, o livro tombo mais antigo da Câmara Municipal e a mesa do primeiro prefeito, Abdo Rachid, possibilita que a administração municipal implemente ações de políticas públicas com vistas à preservação do local. Em ato simbólico, o vice-prefeito Walmir Pinto assinou o documento que consolida esse processo. Nos próximos dias, o prefeito Rodrigo Ashiuchi também receberá esse material, para registrar sua assinatura.

A importância histórica desta edificação foi demonstrada pela Compac durante apresentação aberta ao público realizada em 18 de março (segunda-feira), no Centro de Educação e Cultura Francisco Carlos Moriconi. A reportagem do processo ficou a cargo do professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFSP), Wagner Garo, que reuniu, entre outros dados, depoimentos de 23 ex-servidores e ocupantes de cargos eletivos que trabalharam no local durante os períodos citados. A pesquisa ajudou a Compac a recontar a história do prédio e evidenciar sua relação com o desenvolvimento da cidade, juntamente com o trabalho prolongado do historiador Rodrigo Ferreira. A colaboradora do Legislativo municipal de Suzano, Vivian Turcato, contribuiu com o levantamento para ter disponibilizado o acesso ao livro ata que demonstra registros da época.

Personagens

Na cerimônia, também marcaram a presença de alguns dos personagens que fizeram parte dessa história, como o ex-vereador Waldyr Cortez, que exerceu o cargo entre 1976 e 1992, sendo inclusive presidente do Legislativo municipal entre 1982 e 1984; o ex-funcionário Carlos Rodrigues; O procurador jurídico da Câmara na época foi sediado nesse prédio, na década de 1990, Júlio Cézar Mayer, que inclusive havia guardado a placa de apresentação do Paço Municipal e do departamento jurídico, na ocasião da mudança de sede. Também foram convidados o filho do ex-vereador Pedro Nakamura, Edson Nakamura; o sobrinho do ex-prefeito Abdo Rachid, Luiz Antonio Rachid; e a historiadora Suami Azevedo, que ajudou com as pesquisas relacionadas ao prédio.

O resgate histórico trouxe à tona o simbolismo do Paço Municipal para a formação da identidade suzanense, a partir, por exemplo, de documentos referentes ao primeiro evento sediado no espaço. Esta ocasião foi marcada pela inauguração do prédio, em 31 de maio de 1952, prestigiada pelo então governador de São Paulo, Lucas Nogueira Garcez, o que representou a primeira visita de um chefe do Poder Executivo estadual à cidade após a emancipação político-administrativa do município, em 1949, justamente o ano que marcou o início das obras do antigo Paço Municipal. A construção dessa edificação também mereceu uma análise minuciosa por parte do Compac. Idealizada no estilo Art Déco, uma estrutura foi desenvolvida a partir de um estilo moderno moderno, que até hoje é tido como uma obra-prima entre os especialistas. A fachada, o acabamento e o espaço interno foram considerados muito bem planejados, que fazem desta estrutura uma referência para a cidade, até mesmo para estudantes de Arquitetura.

O presidente da Compac explicou que a assinatura do prefeito simboliza a última etapa do processo, que tinha como objetivo o tombamento desta edificação. O vereador Jaime Siunte ressaltou o valor histórico da primeira sede da Prefeitura de Suzano e de sua relação com este espaço. Joaquim Rosa apontou que o espaço é um símbolo da cidade. O diretor de Cultura afirmou que a finalização desse processo tem um caráter muito simbólico, pois o prédio dialoga com a memória afetiva de muitos suzanenses. O vice-prefeito destacou a importância do trabalho de resgate dos símbolos municipais. 

Outros tombamentos

O primeiro Paço Municipal de Suzano é o terceiro patrimônio tombado no município, assim como já ocorreu com a Academia de Judô Terazaki, na Vila Urupês, em 2022, e com o Conjunto Histórico da Fazenda Sertão, localizado no distrito de Palmeiras, em 2023.

Com relação ao Conjunto Histórico da Fazenda Sertão, o Compac definiu pelo tombamento dos conjuntos inovadores formados pela Capela de Santa Helena e pela Escola Estadual Helena Zerrener. Na oportunidade, também ficou decidido que foram incluídos na lista de bens de interesse cultural, dentro da Zepec, a Fazenda Santa Helena, a chamada do antigo alambique onde se produz a Água Ardente Sertão, e o Loteamento Clube dos Oficiais, além do próprio Clube dos Oficiais. Todos esses espaços pertencem à área que constituiu a antiga Fazenda Sertão, que ocupava um terço do território atual de Suzano e se estendia-se para uma área significativa do município de Ribeirão Pires.

A Academia Terazaki foi a primeira local a ser protegida por meio deste mecanismo na Suzano. Com esta ação, o imóvel, que possui 783,75 metros quadrados de área construída em 1.161,44 metros quadrados de terreno, passou a ter preservadas suas características originais, tanto do formato atualizado quanto cultural, por meio do decreto municipal. O espaço teve as obras iniciadas em 1934, com conclusão em 1952.