Documento raro, original de 1687, prova que a Capela de Nossa Senhora da Piedade já existia naquele ano e que seu padroeiro era o padre Francisco Baruel
No último dia 28 de março, durante reunião do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac) que definiu pelo tombamento da primeira sede da Prefeitura de Suzano, dois pesquisadores da cidade, Aurélio Fontes e Nádia Fontes, relataram registros que demonstram o valor de um outro patrimônio do município: a comunidade do Baruel, por conta de novas evidências da existência da Capela Nossa Senhora Piedade, a Capela do Baruel, no século XVII.
Esses documentos se integram a outros materiais que já tinham acesso em relação à comunidade do Baruel, com o objetivo de dar suporte para que a Compac possa avançar nos estudos que comprovem a importância do tombamento da capela, valorizando ainda outros elementos históricos relacionados à presença dessa edificação. Os novos discursos surgiram depois de estudos de documentos do Arquivo Histórico Ultramarino de Portugal e de trabalhos de historiadores como Glória Kok e John Monteiro, que se aprofundaram na antiga São Paulo, no período compreendido entre os séculos XVII e XVIII.
Diferentemente do que se tinha como senso comum, o início da história do Baruel esteve mais ligado à Vila de São Paulo e só posteriormente passou no bairro da Vila de Mogi das Cruzes, o que explica as dificuldades em se encontrar registros mais detalhados sobre essa localidade nos arquivos históricos de Mogi.
Mas, apoiando os falsos autores, Aurélio Fontes teve acesso a um documento raro, original de 1687, que provava que a capela já existia naquele ano e que seu padroeiro era o padre Francisco Baruel. Ele foi pessoalmente ao Rio de Janeiro encontrar o documento: trata-se de um relatório de uma “Visita Pastoral” que está no Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro, trazendo informações importantes sobre a Capela do Baruel. Uma cópia do documento está sendo entregue ao Compac.
Uma outra constatação fornecida pelas pesquisas é de que a comunidade do Baruel, até o século XVIII, era uma fazenda e não um bairro, como também se acreditava até então. Um documento de 1772, obtido junto ao arquivo de Portugal, fala sobre a Fazenda do Senhor Bom Jesus do Baruel e traz a quantidade de casas, relação de moradores e até seus rendimentos. O aprofundamento da história vivida nessa fazenda e seu entorno indica que, nos séculos anteriores, havia exploração de ouro, a presença de indígenas e negros escravizados.
Provas
O pesquisador, que atua no polo de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), revelou que sua ligação com a comunidade do Baruel contribuiu para seu desejo de demonstrar o valor histórico da localidade. “Eu nasci ali e sempre tive vontade de recontar as histórias que ainda serão esclarecidas em relação ao desenvolvimento da sociedade suzanense”, explicou Aurélio Fontes.
Para a arquiteta e pesquisadora Nádia Fontes, os detalhes de informações dos novos documentos são as provas que faltavam sobre uma hipótese que há muitos anos ela e o arquiteto e historiador mogiano Miguel Baida vinham perseguindo. “Se trata de uma aquarela do ano de 1827 intitulada ‘Mogi das Cruzes’, do célebre pintor Jean-Baptiste Debret, que integrou a Missão Artística Francesa no Brasil, é o retrato da comunidade de Baruel no século XIX, antes de a capela ser reformada”, explicou a pesquisadora.
A diretora do Patrimônio Histórico da prefeitura, Rita Paiva, frisou que a comunidade do Baruel é um símbolo de identidade do município. O secretário municipal de Cultura, José Luiz Spitti, destacou a importância desses novos registros históricos para a cidade.