Município teve as representantes Cind Otaviano e Caroline Alcântara participando das discussões em torno das 30 propostas aprovadas na capital federal
O município de Suzano teve papel de destaque na 4ª Conferência Nacional de Cultura, realizada em Brasília, entre 4 e 8 de março, especialmente pelo trabalho relacionado à valorização do patrimônio material e pelo incentivo às danças urbanas, com ênfase no hip-hop. O evento contou com a participação de duas delegadas da cidade, a presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac), a arquiteta Cind Octaviano, e a arte-educadora e integrante do Conselho Municipal de Política Cultural, Caroline Alcântara.
O município foi um dos três do Alto Tietê, juntamente com Guarulhos e Itaquaquecetuba, a ter representantes no evento. Ao todo, o Estado de São Paulo contou com 60 delegados dentre os 1,2 mil presentes de todo o país. Ao final, foram aprovadas 30 propostas, que estão em fase de redação para que sejam catalogadas e apresentadas aos poderes Executivo e Legislativo nacionais ao longo do semestre. Se aprovadas, se tornarão o instrumento norteador de um Plano Nacional de Cultura para os próximos dez anos.
Cind Octaviano foi a representante do Estado nas discussões em torno do patrimônio material, colaborando para as propostas associadas ao Eixo 3, que trouxe temas e sugestões ligados aos conceitos de “Identidade, Patrimônio e Memória”, contribuindo com o alinhamento de ideias relacionados ao Eixo 1, que abordou “Institucionalização, Marcos Legais e Sistema Nacional de Cultura”. A experiência com os recentes estudos que levaram, por exemplo, ao tombamento do Conjunto Histórico da Fazenda Sertão, foi compartilhada no evento.
Já Caroline Alcântara esteve envolvida nas discussões relacionadas ao Eixo 2, sobre a “Democratização do acesso à cultura e Participação Social”; e ao Eixo 4, focado na temática da “Diversidade Cultural e Transversalidades de Gênero, Raça e Acessibilidade na Política Cultural”. Ela compartilhou a experiência vivenciada em sua rotina de atividades nos equipamentos culturais administrados pela Prefeitura de Suzano. As duas ainda colaboraram com o debate referente ao Eixo 5, focado na “Economia Criativa, Trabalho, Renda e Sustentabilidade”; e, por fim, com o diálogo sobre o Eixo 6, direcionado ao “Direito às Artes e às Linguagens Digitais”.
A representação de Suzano defendeu que a distribuição de recursos do setor seja feita de forma equânime, considerando aspectos étnicos, linguísticos, culturais, bem como características regionais, históricas e socioculturais, objetivando reparações históricas aos povos negros, pardos, indígenas, quilombolas, ciganos, nômades, do carimbó, assentados da reforma agrária pessoas de religião de matriz africana, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência, entre outros segmentos.
Também foi defendida a criação e manutenção do Sistema Nacional do Patrimônio Cultural e fortalecimento do Sistema Brasileiro de Museus, por meio de instituições públicas, programas, projetos e mecanismos de fomento, estímulo, pesquisa, registro, catalogação, preservação, valorização, difusão, acesso, promoção, proteção e salvaguarda dos patrimônios culturais materiais e imateriais. O objetivo é reconhecer o direito à história, memória, identidade e diversidade cultural, efetivando os sistemas e promovendo políticas públicas de preservação da materialidade e imaterialidade dos bens culturais.
Caroline destacou a valorização das danças urbanas nas discussões referentes à democratização da cultura. “Foi uma grande satisfação ter participado de uma conferência que colocou o hip-hop com um dos 30 temas para os quais deverão ser direcionadas ações de incentivo nos próximos anos. Trabalho com essa atividade há muitos tempo e vejo como esse movimento tem crescido na população suzanense e brasileira como um todo”, frisou a arte-educadora.
Por sua vez, a presidente do Compac ressaltou o apoio que a Prefeitura de Suzano concedeu às representantes. A secretária Márcia Belarmino parabenizou a dupla e reforçou a diversidade de ações que o município tem feito para a democratização da cultura.