A Prefeitura de Suzano, por meio da Secretaria de Saúde, já cadastrou mais de 700 pessoas em situação de rua pelo Consultório na Rua, uma iniciativa do governo federal, mas gerenciado pelo município. O programa começou a ser desenvolvido na cidade em janeiro deste ano e tem como objetivo deixar os serviços de saúde mais acessíveis a quem rompeu vínculos sociais e familiares, incentivando sua reinserção na sociedade a partir de melhoria de sua qualidade de vida.
O Consultório na Rua é uma estratégia complementar do programa Crack, É Possível Vencer que foca na saúde dos pacientes. Ela conta com uma equipe multiprofissional composta por um assistente social, um enfermeiro e um auxiliar de enfermagem que fazem as abordagens na rua, identificam os problemas e necessidades dessas pessoas, e realizam os encaminhamentos para os serviços de saúde.
“Nossa principal intenção é fazer com que o paciente resgate os valores do autocuidado e da autoestima, possibilitando sua reinserção na sociedade. Temos casos de transtornos mentais, abuso de álcool e outras drogas, câncer, tuberculose, gravidez, entre outros. Por meio da criação de vínculo entre a equipe e os pacientes, eles passam a manifestar vontade de retornar para as famílias e para o trabalho, mas não querem fazer na condição em que estão. É um trabalho de longo prazo”, conta a interlocutora de saúde mental do município, Dulcineia Gomes Sena Ramos.
Após a identificação do problema de saúde do morador de rua, ele pode ser levado para os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), para o Pronto Socorro Municipal, para uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou para qualquer outra unidade que lhe preste atendimento adequado às suas necessidades. O programa também conta com parceria direta com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), que garante os direitos do cidadão, inserindo-o em programas de transferência de renda e de capacitação profissional.
O número de cadastrados no programa não corresponde exatamente à quantidade de moradores de rua que existem na cidade, pois além dessas pessoas serem bastante flutuantes (migram constantemente de um lugar para outro), algumas recusam receber o atendimento, o que é de seu direito.
Perfil
A equipe do Consultório na Rua traçou o perfil da maior parte dos moradores de rua que estão cadastrados no programa. Cerca de 90% dos atendidos são homens de 20 a 39 anos, de outros municípios que vieram até a cidade pela facilidade de locomoção pela linha férrea e pela ação judicial e policial na região conhecida como “cracolândia”, na capital, que dispersou muitos usuários da droga para cidades da região metropolitana.
Independente disso, o principal problema de vício encontrado entre essas pessoas é o de álcool. Logo depois, são encontrados os vícios em tabaco, maconha e cocaína, proporcionalmente nesta ordem. Entre esses cadastrados, a incidência do uso do crack é baixa. No entanto, os viciados nesta droga apresentam os melhores resultados de resolutividade de seus casos, ao mesmo passo em que as pessoas que abusam do álcool têm mais dificuldade em se livrar do abuso, principalmente por conta do longo período de uso.
As mortes por abuso das drogas (overdoses) também são raras. Os usuários acabam com a saúde degradada por conta do consumo prolongado dessas substâncias, gerando problemas neurológicos, gástricos e hepáticos, por exemplo, que podem levar a morte, ou são vítimas da criminalidade.